sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Thomas Berger

"Fui até à tenda do quartel-general do Filho da Estrela da Manhã, passei pelo ordenança como se nada fosse – um homem diferente do seu criado em Washita – entrei e deparei com uma pequena mesa de campanha, ao fundo da qual estava sentado o general, escrivinhando como de costume. Não sei se alguém alguma vez chamou a atenção para o grande escritor que era Custer: não só escrevia cartas para a mulher quase todos os dias, como escreveu toda uma série de artigos para a revista Galaxy quando estava no campo. Creio que era um destes que estava a escrever agora.
(…)
- Bom – disse ele – suponho que isto tudo para ti seja grego. Lamento não poder empregar-te como guia, mas podes prestar um serviço precioso como muladeiro ou carroceiro ou seja lá o que for que andes a fazer agora. (…)
Seja como for, é por isso que nenhuma das listas dos homens presentess na Batalha de Little Bighorn alguma vez incluiu o meu nome. Custer pensou que eu era muladeiro, ao passo que os muladeiros e os carroceiros achavam que eu era um guia ou um intérprete, especialmente por me verem grande parte do tempo na companhia de Lavender.
Foi enquanto estávamos neste acampamento sobre o Powder que o 7º Regimento de Cavalaria se libertou da sua bagagem em excesso. Todos os sabres, por exemplo, foram encaixotados e aí deixados, por isso as imagens da Última Batalha em que Custer aparece a brandir a sua espada enquanto os índios rodopiavam à sua volta são mentiras. E a famosa banda regimentar que tanto me havia atormentado no Washita, tinha vindo até aqui desde o Forte Lincoln, mas por uma vez não acompanhariam o ataque. Os seus cavalos cinzentos eram precisos para uma quantidade de soldados que tinham feito a marcha a pé."









Pequeno Grande Homem
Thomas Berger