sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

António Alçada Baptista

"Quando acordei, o sol que tínhamos visto nascer, já ia alto e forte. Batia nas janelas e as frinchas deixavam passar pequenos raios de luz que iam bater no chão e na cómoda. Ela continuava a dormir ao meu lado e a mim deu-me para pensar nesta aventura inesperada que completamente me enchia. Gostaria de explicar que, para mim, há uma diferença entre o estar apaixonado e o viver com intensidade uma vibração amorosa. A paixão é cega e o apaixonado não consegue aperceber-se da realidade em que está metido. Eu esta lúcido, até porque a tal outra metade de mim não parava de nos observar e reflectir. Mas a verdade é que eu me sentia preso à Catarina com uma intensidade que não contava já ser capaz de viver e os meus quarenta e muitos anos estavam a desvendar-me forças e estados de alma que eu já não esperava viver. "









Catarina ou o sabor da maçã
António Alçada Baptista