sexta-feira, 5 de março de 2010

Carlos Ruiz Zafón

“- A Penélope contou-me o que lhe tinha acontecido nessa mesma noite em que a senhora os surpreendeu no quarto. No dia seguinte, a senhora mandou-me chamar e perguntou-me o que sabia do Julián. Eu disse-lhe que nada, que era um bom rapaz, amigo do Jorge… Deu-me ordens para manter Penélope no quarto até que ela lhe desse autorização para sair. Don Ricardo estava de viagem em Madrid e não regressou senão na sexta-feira. Assim que chegou, a senhora contou-lhe o sucedido. Eu estava lá. Don Ricardo saltou do cadeirão e pregou uma bofetada à senhora que a deitou por terra. Depois, gritando como um louco, disse-lhe que repetisse o que tinha dito. A senhora estava aterrorizada. Nunca tínhamos visto o senhor assim. Nunca. Era como se todos os demónios o tivessem possuído. Vermelho de raiva, subiu ao quarto da Penélope e arrancou-a da cama arrastando-a pelos cabelos. Eu quis detê-lo e ele afastou-me a pontapé. Nessa mesma noite mandou chamar o médico da família para observar Penélope. Quando o médico terminou, falou com o senhor. Fecharam a Penélope à chave no quarto e a senhora disse-me que arrumasse as minhas coisas.”
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A Sombra do Vento
Carlos Ruiz Zafón