sábado, 16 de janeiro de 2010

Miguel Sousa Tavares

(...)
A Salinha estava mergulhada numa semi-escuridão, apenas iluminada por um candeeiro com duas velas e abat-jour de tecido vermelho, que aproveitava a fraca voltagem das duas horas de iluminação diária da cidade. Como era seu hábito, Luís Bernardo ficou de pé, percorrendo as fotografias da Índia, que ocupavam várias molduras de prata sobre as mesas. (…) Ann demorava-se e ele começou a sentir-se estupidamente intruso, como se fosse um convidado indesejado. Mas ela apareceu (…) Ela encostara-se à parede entre salas e estendia-lhe um braço, chamando-o. De novo o recebeu de corpo inteiro, enrolando-se no dele, e de boca aberta e húmida de desejo. Pegou-lhe numa mão e guiou-a até ao peito. Ele sentiu, com um arrepio, que ela não tinha nada entre a carne e a leveza do vestido de algodão. Ann desapertou dois botões da frente e mergulhou lá dentro a mão dele. Luís Bernardo sentiu outra vez a consistência de esponja macia daquele peito, a dureza dos bicos ao aflorar dos seus dedos. Puxou-lhe um pouco o vestido mais para baixo e mergulhou lá dentro a língua e a cabeça, enquanto segurava cada peito com as mãos em concha, com uma sofreguidão de garoto (…)
- Não, Ann, por favor! Isto é uma loucura: pode entrar aí alguém de repente, uma das criadas ou o David. Não, não posso, estou em casa dele!
- Shiu! – A mão esquerda dela não lhe largava o sexo, enquanto a direita continuava a sua luta para lhe abrir os botões das calças – O David está no duche, vim de lá agora, e dei ordens às criadas para só virem acender as velas da sala de jantar quando ele descesse. Temos tempo! Eu quero-te agora, Luís! Agora!










Equador
Miguel Sousa Tavares