terça-feira, 25 de maio de 2010

Somerset Maugham

“(…) Vai perceber à medida que for ficando mais velho que a primeira coisa indispensável para que o mundo seja um sítio suportável para viver é reconhecer a inevitabilidade do egoísmo no ser humano. Exige a generosidade dos outros, mas é absurdo exigir que os outros sacrifiquem os seus desejos em benefício dos seus. Porque deveriam? Quando se convencer de que cada um está sozinho no mundo pedirá menos aos seus semelhantes. Eles não irão desiludi-lo e olhará para eles de maneira mais caridosa. O ser humano procura uma só coisa na vida: o seu próprio prazer.
- Não, não, não! - Exclamou Philip.
Cronshaw deu uma risada de satisfação.
- Empina-se todo como um potro assustado só porque usei uma palavra a que o seu cristianismo atribui um significado depreciativo. Você tem uma hierarquia de valores e o prazer está na base da pirâmide. (…) Mas eu falo de prazer porque vejo que os homens o ambicionam e não vejo que ambicionem a felicidade. É o prazer que espreita na prática de cada uma das suas virtudes. O homem age porque essas acções são boas para ele e quando também são boas para outras pessoas passam a ser virtudes. Se tem prazer em dar uma esmola é caridoso; se tem prazer em ajudar os outros é benevolente; se tem prazer em trabalhar em prol da sociedade é um filantropo; mas é para seu próprio prazer que você dá dois pence a um pedinte assim como é para meu prazer privado que bebo mais um whisky com soda.”









Servidão Humana
Somerset Maugham